Walter Alves/Gazeta do Povo
“Acima do surfe só Deus”. Definição exagerada? Não para Aminandes Pamplona Neto, 14 anos, e outros tantos jovens moradores do litoral paranaense, que descobriram em cima da prancha uma paixão quase indescritível. A química – de fato – é surpreendente. Para vivenciar um pouco dessa história, a equipe do GAZ+ desceu a serra e encontrou uma galera da hora em Matinhos, que religiosamente cai no mar todos os dias.
Confira o encontro de Gabi Ribeiro, do Geração GAZ+, com a galera que transformou o surfe em uma grande paixão. Vale a pena!
O que para muitos é apenas um hobby, para Neto, por exemplo, é a profissão a ser vivida. “O surfe é minha vida, é o que quero como profissão. Sinto muita paz no mar e harmonia entre os colegas quando surfo”, descreve o garoto que trocou o futebol pelas ondas.
Na mesma vibe, a troca de Thiara Mandelli, 26, sem dúvida alguma parece mais audaciosa. Ela abandonou a faculdade, trocou a capital por Matinhos e ainda perdeu alguns quilos. “Antes de surfar eu era mais gordinha, mas com os treinos mudei. O surfe é tudo, é o meu viver e não consigo ficar sem”, relata.
O amor é tão intenso que – durante a gravidez – os meses pareciam não passar. Thiara conta que chorava diante da impossibilidade de “cair” no mar. Diferentemente de Neto, que começou a surfar com 10 anos, Thiara só se aventurou com a prancha aos 19 anos.
Transformador
A relação com o mar é tão profunda que, no caso de João Marcos Silva Moura, 17, ajudou até a melhorar a autoestima. “Eu nunca fui muito bom em nenhum esporte, mas surfar é o que eu mais gosto de fazer e vou me profissionalizar a partir deste ano”, revela o jovem.
A profissionalização não é uma meta totalmente definida para Camila Prado Ribeiro, 14. “Eu não surfo todo dia porque foco mais no estudo e também ajudo minha mãe”, conta a garota, que diz não ter como explicar sua relação com o mar. “A sensação de estar na onda é a sensação de estar no infinito”, filosofa.
Infinitos também são os sonhos dos irmãos de Camila, Henrique, 17, e Matheus, 12. Treinando todo dia e participando de várias competições locais e em outros estados, os meninos imaginam o que seria a realização: superar os campeões mundiais Kelly Slater e Andy Irons.
A superação de desafios já faz parte da história destes jovens. O primeiro obstáculo a ser vencido diariamente é o preconceito. Inclusive dentro de casa.
Com exceção de Neto, todos os outros jovens tiveram, inicialmente, de “remar contra a maré dos pais”. A mãe dos irmãos Prado Ribeiro chegou a colocar Henrique de castigo. “Hoje, ela fica mais nervosa e mais feliz do que a gente quando um de nós ganha um campeonato”, entrega Camila.
João Marcos conta que a mãe não gostava que ele surfasse e que os avós tinham medo, porque os surfistas sofrem muito preconceito. Para Neto, há muita bobagem a ser vencida. “Não tem nada a ver achar que surfista é drogado”, reitera. Na opinião dele, como o esporte está crescendo, muitas pessoas estão superando os pensamentos equivocados a respeito do tema.
Preconceito que Thiara ignorou em nome da sua paixão pelo surfe. “Meus pais não gostaram quando deixei a faculdade, mas hoje são meus fãs e tenho apoio total”, avisa.
Com a prancha no balançar das ondas e o olhar para o infinito, essa moçada segue vivendo intensamente sua paixão. E assim, conquistando respeito, confiança e também alguns troféus...
Confira a
Depois de conhecer a família, a Gabi Ribeiro conversou com a Thiara Mandelli. Confira o resultado: